Como você quer ser lembrado daqui a cinco ou dez anos? Pelo sucesso construído pela sua empresa ou por um erro grave que poderia ter sido evitado? Muitos dos problemas que marcam negativamente a imagem de um empreendimento podem ser prevenidos com estratégias alinhadas às práticas ambientais, sociais e de governança, popularmente conhecidas como ESG, sigla de Environmental, Social and Governance.
O senso comum leva a crer que esse conjunto de políticas diz respeito somente às grandes corporações, em virtude de marcos regulatórios e de uma série de outras obrigações impostas a elas. No entanto, o ESG é uma poderosa ferramenta para qualquer empreendimento, independentemente de porte ou setor de atuação.
Enquanto gigantes corporativos estruturam relatórios extensos e atendem às exigências de investidores, pequenos empresários podem começar com iniciativas de baixo custo e com impacto direto em sua operação.
Na prática, ESG significa alinhar resultados econômicos a responsabilidades éticas. Mais do que “ser sustentável”, é uma forma moderna de conduzir os negócios – e que já ressoa na tomada de decisão de clientes, parceiros, bancos e investidores como sinônimo de credibilidade e de longevidade empresarial.
Além de fortalecer a reputação da marca, adotar práticas ESG pode abrir portas, facilitando o acesso ao crédito e atraindo a atenção de investidores. Não se trata, portanto, de um custo, mas de um investimento estratégico que amplia a competitividade e garante a sobrevivência da empresa em um mercado cada vez mais exigente.
Gerar valor
A pergunta central não é mais “o que é ESG?”, mas “o que eu preciso fazer para implementá-lo e quais são os seus benefícios?”. E a resposta é bem objetiva: a adoção do ESG não consiste em grandes investimentos com maquinário ou em complexas reformas estruturais, e sim na adoção de práticas de gestão que priorizam a sustentabilidade e a ética como impulsos para o crescimento.
Através dos seus três pilares, o ESG estabelece critérios para avaliar se uma empresa tem sustentabilidade corporativa. Dessa forma, amplia a perspectiva de análise do negócio para além do aspecto financeiro. Esses pilares são:
- Ambiental (E) – Tem como finalidade reduzir o desperdício para mitigar custos, mediante ações diretas, como a otimização de recursos com foco no consumo eficiente de energia e de água. A gestão de resíduos e a logística reversa ajudam a reduzir a quantidade de lixo gerado e incentivam a reciclagem – medidas que, além de demonstrar responsabilidade, reduzem as despesas decorrentes do descarte.
- Social (S) – Toda empresa é feita por pessoas. Investir neste pilar é valorizar e reconhecer o capital humano, o que impacta diretamente na produtividade e na reputação do empreendimento. Uma cultura interna que garanta um ambiente de trabalho saudável e seguro, bem como a promoção da diversidade e do respeito, gera engajamento e reduz o turnover. Desenvolver o senso de comunidade a partir de uma interação positiva, seja por meio de projetos sociais, parcerias locais ou mesmo políticas de contratação, fortalece a marca e, consequentemente, o reconhecimento do público consumidor.
- Governança (G) – Esse pilar se apresenta como um elemento-chave do ESG, pois é ele que garante a ética, a transparência e a estrutura necessária para que os outros dois funcionem de forma eficaz. A boa governança permite antecipar problemas, sejam eles regulatórios, financeiros ou de reputação, protegendo os interesses dos stakeholders e tornando a empresa mais robusta, eficiente e resiliente.
Ao sair do discurso e ser colocado em prática, o ESG se transforma em um poderoso gerador de valores em diversas frentes. Empresas que incorporam esses pilares se tornam menos suscetíveis aos riscos inerentes ao negócio, geram maior engajamento dos consumidores e tornam-se mais atrativas para os investidores.
Texto de Orlando Trindade Pacheco e Thamiris Trisch, advogados na Fernandes Machado Business Law.