Berlim, abril de 2026. O Friedrichstadt‑Palast estava lotado. Cerca de 2 mil convidados de 50 países entraram pelo tapete vermelho para a cerimônia do iF Design Award 2026. É difícil explicar a euforia contida de ganhar o primeiro prêmio iF, o mais importante do design, e viver algo maior que uma conquista pessoal: sentir representar o Brasil em uma edição histórica, com 120 brasileiros presentes e 112 projetos premiados.

Foram mais de 10 mil inscrições de 68 países, avaliadas por um júri independente. Esses 131 especialistas distinguiram dois projetos brasileiros com o especialíssimo iF Gold Award, dado a apenas 75 trabalhos no mundo: luminária Tempo, de Claudia Moreira Salles, para a Lumini e, em arquitetura de interiores, a Casa Alvorada, da D76 Incorporadora.

Menos de uma semana depois, eu receberia outra notícia especial: havia sido escolhida pela curadoria do BIG SEE, prêmio do Leste Europeu, na categoria design de produto com a mesma peça que ganhara o iF. VIDA é a minha coleção de luminárias duplamente premiada, produzida pela Itens, com direção criativa de Mariana Amaral. Do mesmo modo, as designers Ana Neute e Juliana Pippi também receberam iF por suas luminárias para a Itens, respectivamente coleções Redoma e Cipó.

O projeto se inspira no bioma Pampa e no cardeal‑amarelo, ave símbolo do Sul do Brasil, ameaçada de extinção, e protagonista de minha primeira coleção de design de superfície, em 2015-16. Procurei traduzir em luz e forma o delicado equilíbrio entre razão humana e força natural, combinando linhas retas e elementos orgânicos em um sistema modular que se adapta ao espaço.

Estar em Berlim entre tantos brasileiros mostra que deixamos de ser exceção para nos tornarmos presença consistente. Levamos para a Alemanha não apenas projetos, mas um modo brasileiro de pensar o design, que mistura repertório técnico com afeto.

Na categoria Design de Produto, a luminária Tempo, da designer Claudia Moreira Salles para a marca Lumini, chamou atenção pela combinação de precisão técnica e poesia formal. O projeto propõe uma interação intuitiva com a luz, permitindo controlar intensidade e temperatura por meio de um ponteiro central – solução que alia inovação e experiência sensorial. Já na disciplina Arquitetura de Interiores, a Casa Alvorada, da D76 Incorporadora, foi reconhecida pelo projeto que redefine o minimalismo por meio da simplicidade, flexibilidade e conexão com a natureza. Inspirada na arquitetura japonesa, valoriza o espaço entre os espaços, criando um fluxo contínuo entre interior e exterior.

Para Juliana Buso, do Centro Brasil Design, que representa o iF Design Award no Brasil, o resultado reforça o posicionamento estratégico brasileiro: “O Brasil teve o destaque merecido no iF Design Award 2026: mais uma vez, o país bateu recorde de projetos premiados. Cada prêmio amplia a visibilidade internacional e projeta o país de forma consistente, autêntica e com excelência”.