Porto Alegre tem duas áreas sob as lentes de uma comunidade que ama: o Centro Histórico e o 4º Distrito. Na segunda, está localizada a nova sede do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), recém-inaugurada pelo governo do Estado em um antigo depósito do DetranRS retrofitado pela AT Arquitetura.
Antes, o museu esteve alocado por 30 anos no Centro, na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) – prédio que abrigava o antigo Hotel Majestic, projetado pelo arquiteto alemão Theodor Wiederspahn. O acervo do MACRS permanece na CCMQ e agora desfruta de 500 m² de área construída e 1,8 mil m² no espaço externo. O local foi aberto em agosto de 2025 no bairro Floresta, na Zona Norte da capital.
A inauguração contou com a exposição Três Casas, do artista visual Nuno Ramos, cujo trabalho é reconhecido pela força poética e política, tensionando fronteiras entre memória individual e história coletiva. Três Casas ocupa todo o espaço expositivo e propõe uma imersão no tempo da matéria e na fragilidade das formas. Esse diálogo ganha densidade com a memória recente do cenário real de casas destruídas após as enchentes de 2024, que afetaram, inclusive, as obras do projeto de 2021.
No galpão revitalizado com o máximo de simplificação, o conceito é o de um museu aberto. “O mais fácil possível de entrar”, ressalta o arquiteto Tarso Carneiro, do escritório chamado pela Associação de Amigos do MAC (AMAC) para viabilizar o sonho do MACRS – abraçado por muitos voluntários. A AT Arquitetura já havia projetado a sede da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).
O convite para visitar o museu começa pela exclusão de grades frontais, solução característica dos prédios da vizinhança, criando um prolongamento da rua, com o mesmo piso da calçada. Composto basicamente de foyer e sala expositiva multiuso, conta com um grande pátio acessado pelo interior do prédio, com projeto paisagístico dos arquitetos Christina Loro e Eduardo Assmann, integrantes de uma longa lista de profissionais envolvidos na formatação deste equipamento cultural.
Chamam a atenção, ao fundo, bondes originais da cidade, restaurados para funcionarem como espaços educacionais. Há ainda a operação de um café, que completa a experiência no museu, localizado na rua Comendador Azevedo, 256. “O MACRS tem tudo para se tornar um point”, prevê Carneiro.