Mostra de arte mais antiga e importante do mundo, criada em 1895, a Bienal de Veneza está com sua 61ª edição aberta ao público até 22 de novembro de 2026. Desta vez, com o significado especial de ter sido concebida pela curadora camaronesa-suíça Koyo Kouoh, falecida em 2025, logo após ter concluído o projeto curatorial. Primeira mulher africana a dirigir a mostra principal, Kouoh apresentou o tema In Minor Keys, propondo uma Bienal mais silenciosa e contemplativa, voltada a memória, ancestralidade e resistência cultural.
Claro que entre os destaques desta edição está o pavilhão do Brasil, com a exposição Comigo ninguém pode, sob curadoria da baiana Diane Lima. A mostra promove um encontro inédito entre a carioca Adriana Varejão e a paulistana Rosana Paulino, duas das mais importantes artistas brasileiras da atualidade, aproximando diferentes reflexões sobre colonialismo, identidade, espiritualidade e memória.
Reconhecida mundo afora, Adriana Varejão amplia em Veneza sua pesquisa sobre as marcas da colonização portuguesa no Brasil. Suas pinturas e esculturas dialogam com a arquitetura do pavilhão, na porta de entrada, criando superfícies rasgadas e fissuras que remetem às feridas históricas deixadas pelo processo colonial. Os azulejos portugueses, recorrentes em sua obra, surgem como símbolos de beleza e violência ao mesmo tempo. Já Rosana Paulino introduz na exposição reflexões sobre ancestralidade negra e reparação histórica, trazendo ao pavilhão uma dimensão humana e poética profundamente conectada à formação cultural brasileira. Juntas, as artistas transformam o espaço expositivo em um território de memória e resistência.
