Inspirado no verso da escritora brasileira Conceição Evaristo, focada em questões ligadas à ancestralidade e à afrobrasilidade, “Nem todo viandante anda estradas, há territórios que só a poesia penetra”, o título da 36ª Bienal de São Paulo propõe “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”. A ideia é refletir sobre a humanidade como um conceito vivo a ser reimaginado.
Nesta edição, conceituada pelo camaronês radicado em Berlim Bonaventure Soh Bejeng Ndikung junto a cocuradores, há mudanças de direção e duração. Pela primeira vez em 70 anos, a presidência da Fundação Bienal é ocupada por uma mulher, Andrea Pinheiro. E a exposição, aberta em setembro, se estenderá por quatro meses, até 11 de janeiro de 2026.
São 120 artistas de diversos países no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, e outros cinco na Casa do Povo, no Centro da cidade. Há uma dimensão sonora interessante durante o percurso expositivo que parte da ideia de que grande parcela do conhecimento da humanidade foi passada de maneira oral. Além das impressões de arte têxtil, que impressionam, destaco as obras de Nádia Taquary, Tanka Fonta (que dialoga com a arquitetura do pavilhão), Moffat Takaeimwa e Antônio Társis.