A rotatividade de funcionários, também chamada de turnover, é um dos grandes desafios enfrentados pelas empresas brasileiras. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o índice ultrapassa 52% ao ano, o que mostra como essa situação é mais comum do que deveria.
O impacto do turnover não se limita à substituição de um colaborador por outro. Existem custos diretos, como rescisão, recrutamento e treinamento, bem como indiretos, como a queda da produtividade, desmotivação da equipe e danos à imagem da empresa.
Mas, afinal, por que tanta gente decide trocar de emprego? A resposta é multifatorial e, muitas vezes, transcende questões relacionadas a ganhos e benefícios. A falta de clareza sobre as expectativas da empresa, a ausência de um plano de carreira ou mesmo de novos desafios pesam consideravelmente nessa decisão. A boa notícia é que, a partir da identificação do problema, existem alguns caminhos para reduzir o turnover. Saiba mais sobre cinco deles:
- Contrate com propósito: contratações feitas apenas pela pressa de preencher uma vaga tendem a gerar frustrações de ambos os lados. O candidato até pode ter as competências técnicas desejadas, mas se não houver alinhamento cultural, o risco de saída precoce é alto. Quanto mais transparente for a apresentação da função e da cultura da empresa, maior a chance de encontrar alguém com perfil aderente.
- Invista em onboarding e desenvolvimento contínuo: contratar certo é apenas o primeiro passo. O novo colaborador precisa se sentir acolhido e preparado. Um bom programa de integração deve transmitir valores e expectativas, além de oferecer suporte nos primeiros dias. Depois do onboarding vem o desafio da continuidade. Oferecer treinamentos, cursos e oportunidades de aprendizado é uma forma de mostrar que a empresa se importa com o crescimento da equipe. Planos de carreira bem definidos dão ao colaborador a visão de futuro que ele precisa para se manter engajado.
- Crie um ambiente saudável e uma cultura forte: dificilmente alguém permanece em um ambiente tóxico. Problemas como excesso de pressão, líderes despreparados e comunicação falha estão entre os principais motivos de pedidos de demissão. Por outro lado, empresas que cultivam respeito, transparência e colaboração conseguem gerar engajamento e lealdade. É essencial investir em líderes preparados, estimular feedbacks sinceros e dar espaço para que os funcionários expressem suas ideias.
- Remuneração justa e benefícios relevantes: salário não é tudo, mas importa. Em um mercado competitivo, remunerar de forma justa é o mínimo — e isso inclui cumprir prazos religiosamente. Pagar em dia não é apenas uma obrigação, mas também um gesto de respeito e reconhecimento que faz toda a diferença na vida do colaborador. Além disso, benefícios que realmente agregam valor podem ser um diferencial. Auxílios, plano de saúde abrangente, vale-cultura e até a possibilidade de trabalho remoto ou híbrido são atrativos que causam impacto positivo.
- Feedback e reconhecimento: é difícil sentir-se motivado se o trabalho não for valorizado. Criar uma rotina de feedback — claro, direto e construtivo — ajuda o colaborador a entender o que está dando certo e o que pode melhorar. Valorizar conquistas também é fundamental. Pode ser um elogio público, uma mensagem de agradecimento ou uma pequena celebração de resultados. Nem sempre o reconhecimento precisa ser financeiro; às vezes, ser visto e valorizado já é o suficiente para manter alguém engajado.
Texto de Willian Machado, sócio na Fernandes Machado Business Law, e Francine Becker, advogada na Fernandes Machado Business Law.