Ambientes estratégicos que aproximam empresas, universidades, governos e investidores, os hubs de inovação e os parques tecnológicos vêm se consolidando como motores do empreendedorismo no Brasil. Os parques funcionam como ecossistemas estruturados, reunindo empresas de base tecnológica em espaços planejados para estimular pesquisa, desenvolvimento e geração de negócios. Já os hubs cumprem outro papel: são pontos de encontro ágeis, criados para acelerar conexões e dar velocidade a projetos inovadores.

Segundo a plataforma InovaData, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), existem 64 parques tecnológicos em operação no Brasil. Eles somam um faturamento anual superior a R$ 15 bilhões e empregam mais de 75 mil pessoas em 2.706 empresas. A maior parte está localizada nas regiões Sul e Sudeste, especialmente nas áreas metropolitanas. Além disso, há 42 parques em processo de implementação e sete em fase de planejamento. Não há dados consolidados sobre os hubs de inovação, mas a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) estima que sejam 400 espaços desse tipo – contemplando parques, incubadoras e aceleradoras.

O Brasil está na 50ª posição no ranking do Índice Global de Inovação. Para Marcelo Caldeira Pedroso, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), a colocação mostra haver espaço para a evolução das competências nacionais em inovação. Mas isso depende da participação dos hubs e dos parques tecnológicos.

“Esses ambientes são promotores da inovação por conta de suas capacidades de conexão com diferentes stakeholders: universidades, indústria, governo, empreendedores e capital de risco”, afirma Pedroso. Ele diz que as iniciativas brasileiras são relativamente jovens se comparadas às dos Estados Unidos, onde os parques tecnológicos surgiram na década de 1950. Por aqui, os primeiros exemplos são de meados dos anos 1980.

Uma das principais deficiências do ecossistema brasileiro está na concentração no Sudeste. “A expansão dos ambientes de inovação de forma harmoniosa em todo o território nacional é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”, diz o professor, que também é coordenador de ambientes de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.

Mas os parques tecnológicos e hubs de inovação também estão, ainda que aos poucos, migrando para outras regiões. É o caso do Porto Digital, em Recife (PE). Fundado em 2000, o parque atua nos eixos de software e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), economia criativa e cidades inteligentes. Em 2024, o Porto Digital instalou uma extensão internacional na cidade de Aveiro, em Portugal, com o objetivo de internacionalizar as startups e empresas de tecnologias brasileiras.

Hubs de inovação também apostam na internacionalização. O Instituto Caldeira (foto acima, em destaque), em Porto Alegre, completou quatro anos em 2025 e mira um novo ciclo de crescimento. A expansão é ancorada em acordos de cooperação com entidades estrangeiras, missões empresariais e programas que conectam startups brasileiras a mercados estratégicos. Atualmente, o Caldeira mantém parcerias com organizações de oito países – como Estados Unidos, Israel e Suécia. “Quando se fala em desenvolvimento tecnológico, é decisivo ter articulação internacional. Assim, conseguimos estar próximos dos grandes centros de decisão e investimento, oferecer parcerias estratégicas para nossas empresas e promover o intercâmbio entre lideranças”, explica Pedro Freitas Valério, diretor executivo do Caldeira.

Mas ele também defende a regionalização dos ambientes de inovação no Brasil. “A dependência de São Paulo faz com que a gente perca competitividade no mundo. Todas as regiões possuem vocação e capacidade para desenvolver um ambiente mais fértil ao empreendedorismo e para dar capilaridade para as oportunidades de negócio”, destaca.

A seguir, confira os principais parques e hubs de inovação do Brasil

PIT – Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos

Foi criado em 2006 em uma região onde estão sediadas grandes empresas e entidades do setor aeroespacial, como Embraer, Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Reúne mais de 300 empresas em uma área de 188 mil metros quadrados, inclusive com centros universitários e escritórios governamentais. O PIT conta com seu próprio hub de inovação, o Nexus, reconhecido em 2023 como uma das cinco melhores incubadoras de negócios privados do mundo.

Cubo Itaú

Maior exemplo de hub corporativo do Brasil, nasceu em 2015 para impulsionar startups em fase de tração e com alto potencial de escalabilidade. Em 2024, suas mais de 500 startups alcançaram um receita de R$ 10 bilhões – 40% a mais do que no ano anterior – e somam 27 mil colaboradores. Apesar de ter sido criado por um banco, o Cubo Itaú conta com companhias de diversos setores e tem entre seus mantenedores Microsoft e AWS. No local, há dez hubs especializados em áreas como agronegócio, IA, educação, energia, ESG, saúde e mobilidade inteligente.

Google for Startups

O hub de inovação tem sedes em seis cidades ao redor do mundo: São Paulo, Madri, Seul, Tel Aviv, Tóquio e Varsóvia. Criado para impulsionar o ecossistema de startups, oferece programas de capacitação, eventos e acesso à rede global de especialistas da multinacional. Entre eles, o AI Academy, que ajuda empresas a usufruírem de tecnologias de inteligência artificial. Para se ter uma ideia, a rede de parceiros do Google for Startups já criou mais de 126 mil empregos e, em apenas um ano, atingiu a marca de US$ 25,1 bilhões em investimentos levantados pelas empresas.

Porto Digital

Fundado em 2000, em Recife, atua nos eixos de software e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação e economia criativa com ênfase em games, cinema e vídeo, animação, música, fotografia e design. Em 2015, agregou o setor de cidades inteligentes às suas especialidades. Em 2024, o faturamento das empresas cresceu 14%, atingindo R$ 6,2 bilhões. Com o objetivo de ter uma unidade em cada região do Brasil, o Porto Digital conta com um hub em Goiás. Além disso, instalou uma extensão em Aveiro, Portugal. A ideia é internacionalizar as startups e empresas de tecnologias brasileiras ao conectá-las com o mercado europeu.

Vista aérea do Porto Digital.

Parque Tecnológico de Belo Horizonte

Foi eleito o melhor parque científico e tecnológico do Brasil, em 2024, pela Anprotec. A distinção destaca o fomento da competitividade industrial e a sinergia entre pesquisa e inovação no parque. Fundado em 2012, o BH-TEC passa por uma reformulação desde 2019. De lá para cá, sua ocupação saiu de 60% para 100%. Para 2026, deverá inaugurar o Centro de Inteligência em Sustentabilidade, que se somará ao Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, ao Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno e ao Centro de Tecnologia em Terapias Avançadas e Inovadoras.

Instituto Caldeira

Inaugurado em 2021, no Quarto Distrito de Porto Alegre, nasceu para transformar uma região marcada historicamente pela presença industrial em um polo de inovação. Sua área está saindo dos 22 mil metros quadrados atuais para 55 mil metros quadrados, e a ideia é chegar aos 150 mil metros quadrados. Conta com 525 empresas, nove programas de aceleração e 310 startups aceleradas. Desde a sua fundação, aposta em uma internacionalização que vem ganhando força: o Caldeira tem acordos de cooperação com entidades estrangeiras, missões empresariais e programas que conectam startups brasileiras a mercados estratégicos.