O casal de italianos naturalizados brasileiros Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, ambos falecidos nos anos 1990, agora está eternizado de mãos dadas pela arquitetura – mais uma vez.
Ao lado do prédio Lina Bo Bardi, do MASP, com a volumetria marcada por suas alças vermelhas inconfundíveis na Avenida Paulista, surge o Pietro Maria Bardi, formando a dupla de edificações conectadas por uma passagem subterrânea de 40 metros.
Lina, autora também da arquitetura da Casa de Vidro, residência do casal no Morumbi aberta à visitação, assinara a arquitetura do prédio original do museu do qual o marido, Pietro, seria o diretor artístico. Com uma arquitetura silenciosa, mais sisuda, a expansão de área do MASP projetada por Martin Corullon e Gustavo Cedroni [leia-se Metro Arquitetos Associados] ganhou personalidade e se impõe com esguios 14 pavimentos, elegância e discrição.
“Apostamos em um visual limpo, uma fachada homogênea, para não criar ruídos nessa relação”, ressalta Corullon.
Um diálogo perceptível entre eles está presente no tom escuro escolhido para a fachada do Pietro, inspirado na cor dos caixilhos presentes no Lina. O arquiteto ainda acrescenta que, “se o edifício Lina fosse verticalizado, ficaria do mesmo tamanho do Pietro”.
O “casal de prédios” expande a possibilidade de cumprir a função de difundir a arte, além de sua conservação, com mais cinco galerias expositivas distribuídas em plantas flexíveis por cinco andares com pé-direito de cinco metros. Com esse conjunto arquitetônico, somado ao belvedere conhecido como vão livre, o MASP dobra a sua área de atuação: de 10.485 m² para 21.863 m². O público poderá acessar o museu tanto pela Avenida Paulista quanto pela Rua Professor Otávio Mendes.

O escritório de arquitetura desde 2014 esteve envolvido no retorno do sistema expositivo original dos cavaletes de cristal concebidos por Lina, recolocados em 2016. Mas o projeto arquitetônico do edifício com abertura prevista para março de 2025 parte do projeto do arquiteto Júlio Neves, de 1958, prédio doado ao MASP em 2006.
Para viabilizar o projeto de Corullon e Cedroni, executado a partir de 2019 com 250 milhões em doações de pessoas físicas, houve demolição parcial da estrutura em concreto existente para emergir a nova volumetria, com fachada revestida de uma pele de chapas metálicas perfuradas e plissadas, solução que controla a incidência de luz natural e reduz o aquecimento interno. O “design monolítico, inspirado nas tipologias dos museus verticais, como os de Nova York, se destaca no entorno”, conclui Corullon.