Visitar o Museu Judaico de Berlim é sentir o caminho e vivenciar uma arquitetura que conta histórias. Pode-se comparar a percorrer a cidade alemã pela primeira vez. Percebem-se tantas nuances no trajeto além do muro de Berlim que a experiência se revela diferente daquela esperada.
Para uma leiga, fica a sensação provocada pela arquitetura premiada de Daniel Libeskind, cujo projeto foi criado um ano antes da queda do Muro – o Museu só seria inaugurado em 2001. Imaginemos a força que a herança cultural do arquiteto, judeu polonês de família sobrevivente do Holocausto, trouxe ao criar o projeto para exibir a história social, política e cultural dos judeus na Alemanha desde o século 4.
Ao contrário da arquitetura que acolhe, a deste projeto carregado de história exige resiliência do visitante para suportar a sensação das paredes e tetos em constante alteração, já que os ângulos em rasgos na arquitetura de Libeskind nem sempre são iluminados. Seguir em frente pode significar chegar a um ponto sem saída, a Torre do Holocausto, e não prestar atenção onde pisa pode gerar uma instabilidade sutil para quem já não tem o equilíbrio perfeito ou convive com rótulas bailarinas.
Este novo edifício, com planta em zigue-zague, está localizado ao lado do antigo prédio do Tribunal de Justiça da Prússia, concluído em 1735, que agora serve como entrada para o novo prédio, conectado a ele pelo subterrâneo. Então o visitante adentra na Kollegienhaus barroca e, em seguida, desce por uma escadaria pelo dramático Vazio de Entrada, para chegar ao subterrâneo. O edifício existente tem assim a sua autonomia preservada.
