Enquanto o varejo brasileiro terminou 2023 crescendo 1,7% em relação ao ano anterior, e o setor de serviços avançou 2,3%, há um segmento cuja ascendência nominal foi pelo menos seis vezes maior. Estamos falando do franchising, modelo de negócio cujo crescimento foi de 13,8%. Os números de 2024 ainda não estavam contabilizados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) até a conclusão deste artigo. Mas, só no primeiro semestre do ano, o aumento da receita tinha sido de 15,8%, acima da expectativa de 10%. Um cenário que não é necessariamente novo.
Faz alguns anos que o segmento das franquias tem apresentado resultados positivos. O sucesso inclui tanto o crescimento de faturamento quanto do número de redes e do volume de operações. Entre outros fatores, o sucesso está ligado ao modelo de negócio. O franchising consiste na concessão do direito de uso fornecida pelo proprietário de uma marca (franqueador) a um investidor (franqueado), mediante pagamento de custos obrigatórios, como taxa de franquia, royalties e fundo de marketing.
Na prática, a franqueadora permite que o modelo de operação seja copiado e transferido para outro ponto comercial físico ou virtual. Nesse processo, ocorre uma transferência de “know-how” – o franqueador compartilha o conhecimento, as técnicas, os processos e as experiências do empreendimento. O objetivo é que o cliente tenha uma experiência padronizada. Ou seja, a expectativa é que o consumidor encontre os mesmos produtos ou a mesma qualidade dos serviços em qualquer unidade da marca.
Mas como em qualquer outro modelo de negócio, o franchising tem pontos positivos e negativos – para franqueador e franqueado. Vamos listar alguns riscos e benefícios do segmento, a começar pela perspectiva do fraqueado, o empreendedor.

Riscos e benefícios ao franqueado
Uma das principais vantagens da franquia é investir em um modelo de negócio já pensado, testado e aprovado. Isso por si só já reduz a chance de o empreendimento dar errado. Para tanto, o franqueado tem acesso à expertise do franqueador, incluindo plano de negócios, suporte e treinamento. O investidor também recebe uma projeção detalhada dos custos e da rentabilidade da franquia, além de operar uma marca já reconhecida pelo mercado.
Quanto aos riscos, é possível atenuá-los. Durante as conversas com franqueadores, o candidato a franqueado deve ter certeza de que está ciente de todos os custos do investimento. O pagamento das taxas obrigatórias pode impactar a rentabilidade nos primeiros anos de operação. Além disso, lembre-se que a padronização é a alma do franchising. O cumprimento às regras da marca franqueadora evita problemas com multas, processo ou eventual rompimento de contrato. O local onde a franquia será operada também é outro ponto de atenção.
Riscos e benefícios ao franqueador
Quem criou uma marca de sucesso tem alguns motivos para franqueá-la. Primeiro que o modelo permite acelerar a expansão do negócio. O segundo motivo é que esse crescimento está atrelado a uma menor exposição financeira. Com a inauguração de novas franquias, a marca também se torna mais presente no mercado e mais conhecida dos consumidores. O que atrai mais clientes e vendas. Outras vantagens incluem a redução dos custos com pessoal e processos administrativos, já que a maior parte da gestão fica sob responsabilidade do franqueado. E tem o recebimento de royalties, pagos pelo franqueado, o que gera uma fonte de receita constante.
Por outro lado, é preciso estar de olho no comportamento do franqueado. A reputação da marca é um dos ativos mais valiosos do franqueador. Se um franqueado comete repetidos erros, a imagem do negócio pode ser afetada. Outros perigos são a eventual saturação do mercado, o que leva à concorrência interna entre franqueados e diminui a rentabilidade das unidades, e a dor do crescimento. Se o franqueador não tiver capacidade para fornecer o suporte necessário às unidades franqueadas, apostar no modelo pode ser um tiro no pé.